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OdB leva crítica à supremacia branca ao fórum de afrodescentes da ONU

Manuela Thamani defendeu uma estratégia internacional de superação ao racismo a partir da criação de dados com marcadores raciais

Foto: Acervo

Observatório da Branquitude

10 de junho de 2024

Entre os dias 16 e 19 de abril, o Observatório da Branquitude participou da terceira edição do Fórum Permanente de Afrodescentes das Nações Unidas, que tem por objetivo contribuir no combate ao racismo e na consolidação dos direitos da população negra. Durante o evento, nossa diretora executiva, Manuela Thamani, apresentou a pesquisa “A cor da Infraestrutura Escolar” – que revela que 69% das escolas com melhor infraestrutura no país são brancas. Além de contribuir em discussões sobre reparação, desenvolvimento sustentável, justiça econômica e educação.

“Nós tencionamos com os nossos pares, colegas e líderes de estados à crítica a supremacia branca. No evento paralelo que organizamos, em parceria ao projeto Seta e Raça & Igualdade, podemos apresentar nossa pesquisa que mostra as diferenças marcadamente sociais quando olhamos para a infraestrutura escolar. Tornando evidente que o levantamento de dados a partir da questão racial é fundamental para criarmos estratégias internacionais de superação ao racismo”, explica Manuela.

O evento paralelo foi o painel “Educação Antirracista para um Novo Amanhã” que teve o objetivo de debater o sistema educacional e ações de reparação à lógica da supremacia branca, para uma sociedade mais inclusiva e equitativa. Além da apresentação dos dados da nossa pesquisa, o encontro contou com uma mesa com Ana Paula Brandão (ActionAid e do Projeto SETA), Sharon Walker (University of Bristol), Ednéia Gonçalves (Ação Educativa
Piedade Marques e Rede de Mulheres Negras de Pernambuco) e Adriana Moreira (Uneafro).

Outro ponto de atenção durante o evento foi a postura adotada pelo representante da República de Portugal diante das denúncias de racismo no Brasil – agindo como se as tensões raciais no país não fossem fruto de um processo colonial imposto por Portugal. Diante disto, o Observatório da Branquitude assinou um manifesto conjunto exigindo medidas concretas de reparação por parte da República Portuguesa, pelos profundos danos causados pela escravização e tráfico transatlântico. Além do OdB, também assinam o documento o Instituto Marielle Franco, Odara Instituto Mulher Negra, Redes da Maré, Fundo Agbará, Movimento Mulheres Negras Decidem e CEERT.

Na semana seguinte, o governo português reconheceu a sua culpa na escravização no Brasil. Mas não anunciou nenhum tipo de medida para reparar os danos causados a todo um país ou mesmo chegou a pedir desculpas.

Essa foi a segunda participação do Observatório da Branquitude no Fórum de Afrodescentes da ONU. Em 2023,estivemos presentes da edição que ocorreu em Nova York. “Nós seguiremos atuando em âmbito global. Olhando para raça a partir do Brasil. contrários a supremacia branca e manutenção de seus privilégios. Nosso objetivo é responsabilizar os culpados pelas desigualdades e fomentar ações de reparação”, complementou Manuela.

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